Um espaço pendente, ferido, dorido mas ainda com esperança que aquele pedaço seja novamente preenchido.
Porque uma simples pessoa que esta a centimetros de ser tirada ao mundo, faz com que a minha vida fique de pantanas.
Todos os dias me diz "olá", mas como garantido não lhe digo nada e agora que esta numa cama com tubos à volta do pescoço, parece ser sufocado pela dor, não se atreve sequer a dizer alguma palavra.
Chego-me à cama com medo que as mãos que nela estao estejam gelidas, palidas e sem vida. Pergunto-me no que estará a pensar, ou se simplesmente estará num sonho porfundo ao qual lhe chamam coma.
A minha mãe já não come desde o acidente, por este andar ficara como ele.
As lagrimas de quem nunca vi chorar, fazem me agora medo, de perde-lo. Sei que o meu Pai nunca me quis meter medo.
No meio da confusão causada por uma ridicula bicicleta fico perdida e ignorada. Finalmente acorda do sono de semanas e o espaço preenche-se um pouco mas volta a ficar vazio quando me dizem que ele nao sabe quem sou e afirma que a culpa é minha por ele estar ali.
Levamo-o para casa e é como se tivesse 5 anos, não sabe como se faz nada.
Uma luz acende-se e de repente lembra-se de tudo menos de 3 semanas que foram apagadas da sua memoria como flashbaks repentinos.
Sustos da vida que fazem com que aprendamos a dar algum valor ao que é nosso por direito. =P